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Mamas Tuberosas

Por que não é apenas colocar uma prótese.

↓ Baixar em PDF ← Voltar para Especialidades Dr. Guilherme Bersou · CRM 113239 | RQE 53074

Muitas mulheres passam anos acreditando que suas mamas são apenas pequenas, afastadas ou assimétricas. Algumas colocam toda a explicação no peso, no sutiã ou no próprio corpo.

Em parte desses casos existe uma alteração do desenvolvimento chamada mama tuberosa, também descrita na literatura como mama tubular ou constrita. O nome assusta mais do que deveria: não significa doença maligna. Descreve uma anatomia que se desenvolveu de maneira diferente, geralmente percebida a partir da puberdade. E compreender essa anatomia muda o planejamento — porque aumentar volume não é a mesma coisa que tratar forma, base, sulco e aréola.

Na consulta, eu não começo escolhendo a prótese

Começo entendendo qual parte da anatomia precisa ser tratada. Cirurgia plástica com propósito começa pelo diagnóstico.

O que é: uma alteração do desenvolvimento mamário

A literatura descreve a mama tuberosa como uma combinação variável de base mamária estreita, menor desenvolvimento de um ou mais quadrantes, sulco inframamário elevado, polo inferior curto, aréola aumentada ou projetada, e assimetria. Nem todas essas características aparecem juntas — existem formas discretas, que passam despercebidas, e apresentações mais evidentes.

Fonte: van Durme et al. JPRAS Open. 2024. PMID 39555168; Aitha et al. PRS Global Open. 2022. PMID 35702542.

O que não é: não foi algo que você fez

A causa exata ainda não tem consenso — a hipótese mais aceita envolve alterações na estrutura dos tecidos e na expansão da base mamária durante o desenvolvimento. Culpa não explica uma diferença de desenvolvimento.

Não é falta de exercício

Treino modifica músculos, não reorganiza a base da glândula mamária.

Não é culpa do sutiã

A roupa pode alterar conforto e aparência momentânea, não a anatomia de desenvolvimento.

Não é simplesmente falta de volume

Uma mama pode ter pouco volume e não ser tuberosa. O diagnóstico considera forma e distribuição dos tecidos.

Não é igual em todas as mulheres

A apresentação pode ser unilateral, bilateral, discreta ou marcada.

Fonte: Aitha et al. PRS Global Open. 2022. PMID 35702542.

Não existe uma única mama tuberosa

Uma das classificações mais conhecidas observa quais regiões da base mamária apresentam menor desenvolvimento — da forma mais discreta (deficiência concentrada no quadrante inferior medial) a graus progressivos que envolvem os dois quadrantes inferiores ou toda a base. Essas categorias ajudam a comunicação médica, mas têm subjetividade — diferentes sistemas podem produzir variação entre avaliadores.

Importante

Este guia é uma simplificação da classificação de Grolleau. Não serve para autodiagnóstico nem define sozinho a técnica cirúrgica.

Fonte: Aitha et al. PRS Global Open. 2022. PMID 35702542.

O diagnóstico é feito pelo conjunto

O diagnóstico é clínico. Observo a base da mama, a distribuição do tecido, a posição do sulco, o comprimento do polo inferior, a forma e o diâmetro da aréola, a qualidade da pele e a diferença entre os lados — e é preciso distinguir mama tuberosa de hipoplasia simples, ptose, assimetria de desenvolvimento e outras variações anatômicas.

O que precisa ser medido e observado
Largura e formato da base mamária · Distância entre aréola e sulco · Altura do sulco inframamário · Volume e distribuição do tecido · Diâmetro, posição e projeção da aréola · Grau de queda e qualidade da pele · Assimetria entre as duas mamas · Objetivo e limites aceitos pela paciente

Fotografias padronizadas e simulação podem apoiar a conversa. Elas não prometem resultado e não substituem a análise dos tecidos durante o exame.

Fonte: van Durme et al. JPRAS Open. 2024. PMID 39555168; Suhail et al. JPRAS. 2023. PMID 37441855.

Por que só colocar uma prótese pode não bastar

Uma prótese acrescenta volume. Ela não libera sozinha os pontos de constrição, não redistribui automaticamente o tecido e não resolve, em todos os casos, a projeção da aréola ou a posição elevada do sulco. Quando a base não é tratada, existe risco de o implante ocupar um espaço diferente daquele que a mama permite — o que pode contribuir para contornos irregulares, dobra dupla, assimetria ou persistência do formato tubular.

AumentarTratar a anatomia
Acrescentar volume com implante ou gordura.Liberar áreas constritas · redistribuir o tecido · construir o polo inferior · reposicionar sulco e aréola.

A diferença entre essas duas ideias explica por que a mesma prótese pode produzir resultados muito diferentes em anatomias diferentes.

Fonte: Brown e Somogyi. Clinics in Plastic Surgery. 2015. PMID 26408442; van Durme et al. 2024. PMID 39555168.

O tratamento é uma combinação de ferramentas

A anatomia define quais delas serão necessárias:

Fonte: van Durme et al. JPRAS Open. 2024. PMID 39555168; Alvaro et al. Aesthetic Surgery Journal. 2023. PMID 37439225.

Implante, gordura ou combinação

Não existe uma opção superior para todas as pacientes. A escolha depende de volume desejado, tecido disponível, espessura da cobertura, assimetria, número de etapas aceitável e preferência da paciente.

OpçãoO que oferece
ImplanteAumento de volume em uma etapa. Exige planejamento do espaço, cobertura e posição; mantém riscos próprios de qualquer implante mamário e possibilidade de revisões futuras.
Enxerto de gorduraUsa gordura da própria paciente e permite ajustes graduais. O volume por sessão é limitado e parte pode ser reabsorvida — são comuns tratamentos em mais de uma etapa.
CombinaçãoUne estrutura e volume do implante com refinamento de contorno por gordura. Acrescenta decisões técnicas e deve ter indicação individual.

Estudos comparativos recentes mostram um equilíbrio: a gordura costuma exigir mais sessões iniciais; implantes podem exigir revisões ao longo do tempo. A decisão precisa incluir esse horizonte.

Fonte: Brault et al. JPRAS. 2017. PMID 28341593; Karppinen et al. JPRAS. 2024. PMID 38742668; Papadopoulos et al. 2024. PMID 38760537.

Há muitas técnicas e pouco consenso

38 estudosRevisão sistemática, 2023
897 pacientesBase agrupada da revisão
27 estudosRevisão de escopo, 2024
1.674 pessoasParticipantes da revisão

A combinação de reorganização dos tecidos com implante foi a técnica mais frequente nas séries; enxerto de gordura foi menos comum. A revisão de escopo de 2024 confirmou grande variação nas classificações e nas estratégias cirúrgicas. Isso não significa falta de conhecimento — significa que a mama tuberosa não é um problema único. Os estudos são majoritariamente séries de casos e coortes retrospectivas: ajudam a orientar, mas não permitem prometer qual técnica será melhor para uma pessoa específica.

Fonte: Alvaro et al. Aesthetic Surgery Journal. 2023. PMID 37439225; van Durme et al. JPRAS Open. 2024. PMID 39555168.

Tratar não significa produzir simetria perfeita

Mamas naturais nunca são idênticas. Quando existe assimetria de desenvolvimento, cada lado pode exigir uma estratégia diferente e ainda assim manter pequenas diferenças depois da cirurgia. O risco individual depende da anatomia, do procedimento, dos materiais e das condições clínicas da paciente.

Pontos que precisam estar na conversa
Persistência de assimetria ou diferença de contorno · Alargamento ou alteração da cicatriz ao redor da aréola · Dobra dupla ou irregularidade no polo inferior · Mudança de sensibilidade da mama ou aréola · Hematoma, seroma, infecção ou alteração de cicatrização · Contratura capsular, deslocamento ou troca do implante · Reabsorção parcial da gordura e necessidade de novas sessões · Revisão cirúrgica para refinamento ou mudança ao longo do tempo

Uma revisão agrupada reportou complicações em cerca de 20% dos casos, mas reuniu técnicas e definições muito diferentes — esse número não é uma previsão do seu risco individual.

Fonte: Alvaro et al. Aesthetic Surgery Journal. 2023. PMID 37439225; Aitha et al. 2022. PMID 35702542.

O resultado muda por meses

Logo depois da cirurgia, inchaço, firmeza dos tecidos, diferenças temporárias e posição inicial do implante podem alterar a percepção do resultado. Com o passar dos meses, o edema reduz, os tecidos acomodam e as cicatrizes amadurecem — o ritmo varia conforme a técnica e a resposta biológica de cada paciente.

Planeje também a vida ao redor da cirurgia

Organize ajuda em casa e siga as restrições da equipe. Não programe a cirurgia encostada em casamento, viagem ou evento importante. Considere que cicatrizes e posição dos tecidos continuam mudando. Compareça aos retornos mesmo quando estiver se sentindo bem.

O que vale guardar deste guia

Não existe perfeição. Existe planejamento, proporção e uma decisão tomada com propósito. Na consulta, avalio a anatomia, escuto o que incomoda você e explico quais objetivos são possíveis dentro dos seus tecidos.

Literatura consultada

van Durme J et al. JPRAS Open. 2024;42:315-328. PMID 39555168. · Alvaro AI et al. Aesthetic Surgery Journal. 2023;43(12):NP1001-NP1009. PMID 37439225. · Aitha P et al. PRS Global Open. 2022;10:e4363. PMID 35702542. · Brown MH, Somogyi RB. Clinics in Plastic Surgery. 2015;42(4):531-549. PMID 26408442. · Brault N et al. JPRAS. 2017;70(5):585-595. PMID 28341593. · Karppinen T et al. JPRAS. 2024. PMID 38742668. · Papadopoulos S et al. Aesthetic Plastic Surgery. 2024. PMID 38760537. · Suhail D et al. JPRAS. 2023;84:582-594. PMID 37441855.

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